WILLIAM BLAKE

"Eu preciso Criar um Universo ou serei escravizado pelo Universo de outrem;
não argumentarei tampouco compararei: minha missão é Criar."


As datas de 1757 e 1827 delimitam a vida de William Blake. Escritor, poeta, artista plástico, visionário, religioso e louco são fracas palavras para descrever este homem singular. Sua obra se destaca na literatura mundial por ser uma das coisas mais estranhas que já se ousou publicar. Não à toa, conhecia e admirava Swedenborg. Porém, chega de lero-lero. Vamos ouvir a voz de Blake. Eis um de seus poemas, extraído de "Poetical Sketches" (1783):

TO THE EVENING STAR

Thou fair-hair'd angel of the evening,
Now, whilst the sun rests on the mountains, light
Thy bright torch of love; thy radiant crown
Put on, and smile upon our evening bed!
Smile on our loves, and while thou drawest the
Blue curtains of the sky, scatter thy silver dew
On every flower that shuts its sweet eyes
In timely sleep. Let thy west wind sleep on
The lake; speak silence with thy glimmering eyes,
And wash the dusk with silver. Soon, full soon,
Dost thou withdraw; then the wolf rages wide,
And the lion glares thro' the dun forest:
The fleeces of our flocks are cover'd with
Thy sacred dew: protect them with thine influence.

À ESTRELA VESPERTINA

Tu, anjo vespertino de bela cabeleira,
Agora, enquanto o sol descansa em meio às montanhas, acende
Tua brilhante tocha de amor; põe tua radiante
Coroa, e sorri para nosso leito noturno!
Sorri para nossos afetos, e enquanto tu levantas as
Cortinas azuis do firmamento, espalha teu orvalho prateado
Em cada flor que fecha seus doces olhos
Para o sono, em tempo certo. Deixa o vento oeste adormecer sobre
A lagoa; fala silêncios com teus olhos ardentes,
E lava o crepúsculo com prata. Cedo, muito cedo,
Tu vais embora; então o lobo liberta a sua fúria,
E o olho do leão faísca através da negra floresta:
A lã dos nossos rebanhos está coberta com
Teu sagrado orvalho: proteja-os com tua influência.