ANESTESIA GERAL

Crianças, eu preciso declarar uma coisa a todas vocês: não canso de me espantar com as pessoas e as histórias que elas têm a contar. Nem que eu fosse um cara radicalmente criativo conseguiria inventar as bizarrices que o povo me conta. É impressionante.

O último caso que chegou a meus Castos Ouvidos foi o do Bernardo. Ele, quando era moleque, teve que operar o pé. Para isso, tomou uma anestesia peridural, mas depois o anestesista achou melhor aplicar logo uma anestesia geral. Bernardinho dormiu o Sono dos Justos e acordou chapadérrimo, sem nenhuma sensação da cintura para baixo. Ele tentava mexer a perna e nada. "caraio", pensou ele, "não sinto porra nenhuma! Será que consigo sentir o meu saco?" Aí ele teve a brilhante idéia de apertar o saco. Apertou, apertou, e não sentia absolutamente nada. "Putz, que legal!", disse para si mesmo o Pequeno Bernardo. E foi apertando suas bolinhas, feliz da vida.

Como tudo na vida tem um fim, inclusive a própria vida, o efeito da anestesia passou, e o Pequeno Bernardo começou a sofrer terríveis dores nos Países Baixos. Diz ele que mal conseguia respirar, tamanha a dor no saco. Eu mesmo já passei por umas cinco anestesias gerais, mas nunca tive uma idéia de jerico como esta. Fica aqui registrada a minha Fé Inabalável na Estupidez Humana.