O BAIRRISMO GAÚCHO PUNHETANDO NA MÍDIA

EXPLICAÇÃO PRELIMINAR
Quem visita o site da Cris Camargo sempre se diverte com seus textos. Além de talentosa, ela tem um senso de humor ácido o suficiente para derreter vidro. Num dos seus últimos posts, que reproduzo aqui com a devida autorização, ela toca num assunto que deveria ser coisa do passado, mas infelizmente persiste como uma espécie de idiotia crônica na mente do povinho do rio grande do sul: o bairrismo. A Cris, que é gaúcha, não dá refresco pros conterrâneos e senta a pua - com razão - na mídia provinciana e masturbatória que infesta aquelas paragens meridionais. Vamos ouvir o que a moça tem a dizer.


Pois bem, nas últimas duas semanas a mídia local alvoroçou-se diante da revelação de que o livro de uma escritora-gaúcha-casada-com-publicitario-gaúcho-famoso-e-bem-relacionado vai virar minissérie da Globo. A mulher só é conhecida por ter se casado com o tal publicitário-famoso e feito disso um circo com direito a aparição no Fantástico. Há três anos atrás, o romance (deles) virou livro e seu desenrolar exposto como se fosse uma graaaande novidade que jamais acontecesse nos dias de hoje, imagine: duas pessoas se conhecem pela internet e namoram pela internet e se conhecem pessoalmente e namoram e se casam e foram felizes para - *aham* - sempre. Então, graças ao talento do maridinho - (que eu conheço e de quem fui testemunha de algumas histórias beeeeem podrinhas, né, Laíse???) - para promoção, o namoro virou livro, o casamento foi pra mídia e ele, claro, vai dar uma forcinha na carreira da mulherzinha, como convém no mundinho da troca de favores.

E dê-lhe capa de Caderno Dominical mais duas páginas centrais só pra "noticiar" o que poderia sair numa notinha de contracapa. E dê-lhe página inteira de Caderno de TV pra anunciar que Tiago Lacerda ganhou um dos papéis masculinos da trama (sobre a qual não deve ter se ouvido nem um ai nem um ui no centro do país). E dê-lhe punhetação bairrista ... "Dããããã... romance de uma gaúcha vai virar minissérie da Globo, dã, dã, dãããã..." . Não, não exaltam a qualidade do texto da moça, a boa história, o valor literário ou histórico da obra. Não, nadinha, nada além do fato de que A AUTORA É GAÚCHA e pronto. Para a mídia local, é só isso que importa. Haja saco.

Cara, a mídia gaúcha é como um homem que, se pudesse, se masturbaria esfregando a cabeça do pau só em volta do próprio umbigo - "dããã... dããããã... meu estado é meu país... dããããã... dããããã..." - e que só não faz isso porque o pau não alcança.