MONEY TALKS, SHIT WALKS

Talvez a mais valiosa de todas as propriedades humanas, depois de um ar de empáfia e superioridade, seja a reputação de bem-sucedido. Nenhuma outra coisa torna a vida mais fácil. Em 90% dos homens existe um impulso irresistível para se ajoelhar aos pés da riqueza, submeter-se ao poder que ela detém e enxergar toda espécie de superioridade nos ricos ou nos que se dizem ricos. É verdade que há sempre uma ponta de inveja junto com isto, mas é uma inveja expurgada de ameaça: o homem inferior, no fundo, teme fazer mal ao homem com dinheiro; tem medo até de pensar mal dele pelo menos de alguma forma patente e ofensiva. O que paralisa o ódio natural deste homem por seu superior é, digamos, a tímida esperança de que talvez lhe sobrem até alguns trocados se for bonzinho - e que lhe renderá mais soprar do que morder.

Seja qual for o processo psicológico, chega-se sempre a uma grande afabilidade. Espalhe a notícia de que Fulano arrasou no mercado de ações, casou-se com uma viúva rica ou passou a perna no governo em alguma transação patriótica e logo todos se convencem de que o desmazelo de Fulano pelas roupas é só uma excentricidade, que sua opinião sobre vinhos merece ser ouvida ou que suas alucinações políticas são dignas de atenção. O homem considerado pobre nunca tem a menor chance. Ninguém quer ouvi-lo. Ninguém dá a mínima para o que ele pensa, sabe ou sente. Ninguém tem paciência para suas lamentações. Aprendi isto cedo na vida e o pus em prática desde então. Já lucrei muito mais com homens (e mulheres) pela reputação de estar bem de vida do que por ter sido honesto com eles, ou por espantá-los com minha sagacidade, por dar duro no trabalho ou talvez por uma espécie de beleza singular e inefável.