BULLSHIT!

Certa vez namorei uma menina cuja avó havia sido modelo - numa época em que modelo e puta não eram necessariamente sinônimos. A velhota, apesar de estar na extremidade mais longa dos sessenta anos, ainda fazia sucesso nos bailes da Terceira Idade. Vi algumas fotos que ela guardava cuidadosamente em um álbum, dos bons tempos da passarela. Nas fotos, pude ver que além de bonita, ela tinha sido muito, mas muito gostosa. Ainda bem que procriou e a sua filha também e aquele DNA privilegiado foi parar na minha namorada. Mas, tergiverso.

Com a idade, a velha foi ficando mais e mais desbocada, estilo Dercy Gonçalves. Nas muitas vezes em que conversamos, ela pontuava as frases com "caralho", "porra", "cu-da-mãe" e outros termos menos refinados. É óbvio que eu achava engraçadíssimo conversar com ela.

Talvez a melhor estória que ela me contou foi um incidente ocorrido com uma colega de trabalho, uma tal de Valéria. Naqueles remotos tempos, a coisa mais importante na vida de uma mulher era arrumar um marido. E ser virgem era condição sine qua non para casar - cruzes, isso me parece até ficção científica. Porém, como ninguém é de ferro, a mulherada liberava a porta de serviço para os namorados. Isso foi confirmado esses dias pela grande atriz Eva Vilma, que declarou pertencer à geração que se casava semi-virgem.

Pois bem, a Valéria, apesar de ser modelo, era muito tímida fora da passarela. Não tinha namorado. Porém, um dia se apaixonou por um tenente da Força Aérea. Beijinho vai, abracinho vem, chegou a hora de ela dar uma "prova de amor" para ele (acho hilariante o modo como se falava naquela época). Em suma, morder a fronha.

A questão é que o tenente era um pé-de-mesa. Pirocudo mesmo. E inepto. Enfiou a jeba até o talo na bundinha da Valéria e, apesar dos gritos e do choro dela, foi até o fim. Resultado: quando tirou o mangalho, veio tinto de sangue.

A Valéria disse pro tenente nunca mais aparecer na frente (e atrás, presumo) dela e foi para o hospital. A coitada - no sentido mais radical do termo - recebeu tratamento de uma enfermeira que lhe perguntou como aquilo tinha acontecido (*). A moça, por questões de pudicícia, contou uma versão bizarra: disse que estava no campo colhendo flores (**) quando, ao se curvar sobre uma touceira de margaridas, veio um touro correndo e enfiou um dos chifres no seu cu.

Bem, a enfermeira achou o caso tão extraordinário que comentou com a sua filha mais tarde, em casa. O problema é que a filha dela era a avó da minha namorada, que era tão discreta quanto o Otávio Mesquita: todo o povinho da moda acabou sabendo da estória.

(*) perguntou gaiatamente, pois não?
(**) percebam o aspecto bucólico e poético do relato