AÇOUGUE

Uma leitora mais afoita me perguntou qual o tamanho do meu pau. Sim, isso mesmo, pessoal. Vejam o que um pároco abnegado como eu, que dos votos sagrados apenas quebrou o da pobreza e o da castidade, tem que ouvir. Ela não especificou se queria saber das medidas em estado de repouso ou ereto, mas duvido que a dama estivesse interessada em um pau mole.
Que coisa curiosa. Qual a utilidade desta informação? Se eu respondesse, digamos, "Cara leitora: entre as pernas possuo 18 centímetros de masculinidade indômita, grossa e cabeçuda", acaso ela viria correndo sen \n'; document.write(barra); } } changePage();
tar no meu colo? Duvido. Isso de julgar uma pessoa inteira com base em alguns pedaços da anatomia não dá certo mesmo. Que diga isso o Estevan.
O Estevan chegou em São Paulo vindo lá do sul. Trabalhava com design, vídeo e editoração. Como era um excelente profissional e não se importava com jornadas diárias de 12 horas extremamente puxadas de trabalho, logo encheu o rabo de dinheiro. Alugou um apartamento de dois quartos num bairro chique, comprou um carro e uma moto. Era solteiro. Um determinado dia, eis que ele me liga e convida eu e minha namorada para jantar lá na casa dele. Ok. Quando chegamos, trazendo umas seis garrafas de excelente vinho, quem abriu a porta para nós foi uma mulher belíssima, que nos recebeu com beijinhos no rosto. Fiquei bem impressionado. Além de ser bonita, a fulana tinha um corpo que era, certamente, meu sonho de consumo. Porém, me controlei, já que estava acompanhado e havia sido ameaçado de castração sumária pela minha namorada, caso ficasse arrastando a asa para outras fêmeas. As mulheres foram para a cozinha, e o Estevan foi me mostrar umas capas de revista que ele tinha feito no computador. Não me controlei e perguntei para ele: "rapaz, onde é que tu encontrou aquela mulher maravilhosa?" E ele: "é atriz de tevê, da novela tal, sabe?" Claro que eu não sabia. Os dois tinham se conhecido numa agência onde ele trabalhava e pintou um clima, sacomé?
Um mês depois, encontro o Estevan num barzinho, azarando a mulherada. Perguntei pela fulana atriz. Ele respondeu que não tinha conseguido aturar o papo idiota da mulher e deu-lhe um pé-na-bunda básico. Aí fiquei puto: "porra, cara, aquela mulher devia ser uma trepada fenomenal!" Ao que ele respondeu: "E era mesmo, o problema é que não dá pra ficar trepando o tempo todo. Quando ela tirava meu pau da boca e começava a falar é que era o problema!"