ENRON
Interessante a falência da ENRON, Titanic da indústria de energia dos nossos donos, os EUA. Aqui neste quintalzinho verde-amarelo, serviçais fieis como Roberto Campos - títere absoluto do Interesse Maior Americano -, bradavam contra a regulamentação e a arbitragem do Estado, afirmando que a corrupção tinha mãe, e seu nome era União. Pois bem, desta vez o exemplo vem de cima: retira-se a arbitragem estatal em áreas vitais para o bem-estar comum, e a corrupção, paradoxalmente ou nem tanto, aumenta - chegando a um escândalo como o da ENRON. Milhares de americanos perderam não só o emprego mas as economias de toda uma vida com a evaporação do fundo de pensão da empresa (na qual tinham investimentos em ações). Operações para lá de escusas, conduzidas pela ENRON - coisas cujos detalhes fariam qualquer mafioso sentir-se um santo -, inflaram artificialmente o valor da empresa. Até que, certamente guiados por Deus ou por um sexto sentido, alguns executivos do alto escalão venderam todas as suas ações, dias antes de ser descoberta uma gigantesca quantidade de sujeira debaixo do tapete. Aí o preço dos papéis despencou.
Não se sabe ainda qual será o impacto deste mega-fiasco na economia americana. Só se sabe que, certamente, quem vai arcar com o prejuízo são as colônias, como o Brasil.
O Estado não é mais nem menos corrupto que a iniciativa privada. O problema é que o pessoal embolsa quantidades enormes de dinheiro e não só não devolvem como processam qualquer um que os chame, muito apropriadamente, de ladrão.