O QUE FAZEM OS VAGALUMES DURANTE O DIA?
"Seu" Creonte viu o mar pela primeira vez quando o ônibus de excursão terminava de descer a serra. Vinha batucando um pandeiro e cantando desafinado com os outros passageiros, bebendo cachaça e feliz da vida.
- Hoje eu passo sal no couro !
O ônibus parou na areia, a porta foi aberta e a primeira coisa que saiu foi uma bola enorme de plástico colorido.
Torresmo. Cachaça. Galinha frita. Farofa. Cachaça. Mais pandeiro e cantoria. Cachaça.
As mulheres exibiam os corpos flácidos, as celulites e as estrias; os biquínis quase invisíveis, afogados pela gordura. Porém, à medida que os homens bebiam, iam ficando mais bonitas.
"Seu" Creonte percebeu que já tinha bebido muito quando olhou pra bunda da Ivonete e sentiu tesão. A Ivonete tinha o que se chama de "bunda-peixe": tem que tirar todas as espinhas antes de comer. E além disso, aquela bunda era pautada - as estrias eram tantas que parecia caderno de colégio.
Creonte resolveu dar um mergulho pra ver se passava a bebedeira. Entrou na água, nadou até depois da rebentação e começou a se afogar. Para sua sorte, o salva-vidas viu tudo, foi lá e o retirou da água. Mas o Creonte tinha engolido água demais e estava passando mal. Levaram ele até um hospital, onde foi tratado e levou inclusive uma injeção de glicose na veia pra passar o porre.
Aí caiu a ficha pro Creonte:
- Poxa, eu podia ter morrido...
E estendeu o raciocínio:
- Mas, como eu não morri, vou comemorar!
Voltou para a praia. Torresmo. Cachaça. Galinha frita. Farofa. Cachaça. Mais pandeiro e cantoria. Cachaça.
Então ele resolveu dar mais um mergulho porque estava bêbado de novo. Entrou na água, nadou até depois da rebentação e começou a se afogar. Aí, sim, o Creonte morreu.
MORAL DA HISTÓRIA: seja perseverante nos seus objetivos.
(e antes que me encham o saco dizendo que o título não tem nada a ver com a estória, saibam que isso é técnica literária, tá?)