O POEMA DO CUME

Calma, criançada, Padre Levedo está de volta. Para os que ignoram o folclore botequinesco - matéria em que modestamente sou mestre -, apresento uma jóia da poesia etílica: o poema do cume.

MODO DE USAR O POEMA:

1. entre num boteco e beba um litro de cachaça, para enrolar bem a língua;
2. berre bem alto: "calem a boca que eu tenho algo importante a dizer, porra!", ao mesmo tempo que esmurra o balcão;
3. puxe do bolso um papel onde você previamente copiou o poema (lógico, a essas alturas você não vai estar em condições de declamá-lo de cor);
4. leia em voz alta:

O CUME

No alto daquele cume
Plantei um pé de roseira
Roseira no cume cresce
Roseira no cume cheira

Quando cai a chuva fina
Pingos e salpicos no cume caem
Lagartos no cume entram
Abelhas no cume saem

Ao passar a chuvarada
Ao cume volta a alegria
Pois volta a brilhar com força
O sol que no cume ardia

5. saia correndo antes de ser linchado.