PUDICÍCIA

A Fernanda era de Portugal e tinha uma escola de Inglês num bairro podre de chique em San Pablo. Os professores eram todos estrangeiros, de vários países. Tinha gente até da Nova Zelândia. E todo mundo com vinte e poucos anos.
Fiquei amigo da Fernandinha e uma vez ela decidiu oferecer um jantar pros professores e me convidou também. Sei que comemos muito bem, e depois fiquei jogando conversa fora com uma Sueca maluca. O pessoal da Suécia é bastante desinibido - principalmente os mais jovens. Não precisou muito uísque para que ela estivesse falando pelos cotovelos. Em Inglês, graças à Deus, pois o meu Sueco anda meio enferrujado. Perguntei várias coisas sobre o país dela, e acabei comentando sobre os famosos filmes Suecos. Os filmes de putaria, é óbvio. A loirinha riu e contou que assitia muito, e o irmão mais velho dela inclusive era casado com uma atriz pornô. Porém o casamento não estava dando certo. Aí eu não me controlei e disse: "mas claro, o sujeito deve ter uma dor-de-corno tremenda!" Ela negou, pois o problema não era o fato da mulher ganhar a vida trepando o dia inteiro. O marido não se importava com isso. O problema era que a moça, quando transava com ele, não passava do papai-e-mamãe. Ficava totalmente encabulada. Não suportando a situação, um dia o marido desabafou: "Porra, querida, e aquela tripla penetração que eu vi você fazendo no filme 'loiras peitudas contra ETs tarados'? Caramba, não entendo essa timidez! Metade da Suécia te viu mamando uma trolha de burro! Mas você chega aqui em casa e se comporta como uma freira!". A mulher ficou indignadíssima. Repondeu: "O que eu faço no estúdio é trabalho. O que eu e você fazemos na cama é amor. Você pensa que eu sou o quê? Uma puta?"