FAZER O BEM SEM FAZER QÜEM-QÜEM
lá vem o pato, pata aqui, pata acolá
lá vem o pato, para ver o que é que há
Já disseram que tenho cara de milionário. Concordo, só que faltam os milhões. Ontem, bebendo uma breja no boteco de sempre, me chega um cidadão totalmente bem-apessoado, e junto com ele a ladainha de sempre: estou desempregado, passando fome, etc.
Eu raramente dou esmolas, mas de vez em quando me dá uma recaída. Falei pro sujeito: vem cá, cê tá com fome mesmo? O cara fez que sim. Aí o diálogo foi o seguinte:
- Tudo bem, se você está com fome, posso te pagar uma coxinha. Mas, vem cá, tu não preferia uma pinga?
- Nãããooo ... (um não meio que já querendo virar SIM)
Insisti na proposta:
- Olha, até era melhor negócio pra mim, a pinga custa 50 centavos, e a coxinha custa um real. Quem sabe não era melhor uma pinga?
Aí o rapaz coçou a cabeça, deu um sorriso meio sem jeito, e depois de um tempo falou:
- Será que não podia ser DUAS pingas ao invés de uma coxinha?
Q.E.D.
(Quod Erat Demonstrandum, ou "Como se Queria Demonstrar" - na língua de Camões. Esta sigla era colocada no final dos exercícios resolvidos de matemática ou lógica, numa remota época em que as pessoas pensavam e conseguiam argumentar. Está posto aqui porque o anônimo pinguço demonstrou - de forma involuntária - que a esmola não é solução)