UMA VIDA DE COSMOPOLITANO

Domingo. Domingo à noite. Preciso de mais latinhas de cerveja e mais marlboro. Peregrino na Vila: a birosca do doutor Diniz fechada; o Emporium fechado; os botecos usuais, idem. A Cidade que Nunca Dorme me fecha as portas. Apelo: Hospital Saint Louis. Há bares ao redor que nunca fecham. Quatro Bohemias. Marlboro maço. Perfect.

Volto para casa. Rua deserta. Passo por um prédio. Um sujeito fala em voz alta de uma sacada. Voz de viado. Aliás, voz de alguém que, quando estavam distribuindo boiolice, trancou na roleta e recebeu overdose.

- Homens, os homens são maravilhosos... Homens passam aqui em frente, poderosos...

Pensei no momento: "cáspite, é esse o tipo de atenção que eu consigo obter?" e passei reto. A voz prosseguiu: "e também um monte de caretas assustados"

Depois quando digo que domingos são dias malditos, neguinho num intendi.