EU SEI DE TUDO!
Dois moleques estavam brincando quando um deles disse: "Ei, Juquinha(*), eu sei uma maneira de ganhar grana que sempre funciona!" Claro que o outro quis saber. "É o seguinte: cê chega pro seu pai e fala, bem sério: 'pai, eu sei de tudo'. Aí ele te dá um dinheiro pra ficar de bico calado. Vai por mim: não falha!"
O Juquinha meditou sobre o assunto durante um breve tempo e resolveu testar. Chegou em casa, lá estava papi tomando cerveja e vendo uma partida de futebol. Ele chegou do lado da poltrona e falou pro pai, bem sério: "pai, eu sei de tudo!"
O pai, imediatamente, disse bem baixinho: "Shhh, quieto, moleque! Tua mãe tá lavando louça na cozinha e pode ouvir! Toma aqui dez reáu e cala essa boca!"
Juquinha, encantado, pensou: "Caralho, não é que essa merda funciona mesmo!"
E estendeu seu pequeno raciocínio: "Mas, se funcionou com o papai, bem que pode funcionar com mamãe...."
Chegou na cozinha, onde a mãe estava com o umbigo colado na pia, lavando louça. O petiz se aproximou e disse, bem sério: "Mamãe, eu sei de tudo!"
A mulher largou uma panela que estava lavando, enxugou as mãos com o pano de prato e falou bem no ouvido do moleque: "Shhh, quieto, Juquinha! Teu pai está na sala e pode ouvir. Toma aqui cinco reáu e vai brincar lá fora, vai!"
Sentindo-se o Edir Macedo de sua geração, Juquinha saiu feliz da vida com o dinheiro. Na porta de casa topou com o carteiro, que vinha entregar uma pilha de propagandas inúteis e contas.
"Será que funciona com o carteiro também?", pensou o pequeno crápula. Chegou para o funcionário do Glorioso Correio Nacional e disse: "Senhor carteiro, eu sei de tudo!" O sujeito parou, olhou para ele e disse "Ah, cê sabe de tudo, moleque?" E o Juquinha: "Sim, eu sei de tudo!" Aí o carteiro falou:
"Então me dá um abraço, filhão!"
(*) o nome foi alterado para preservar a identidade do fedelho