ALICE NO MUNDO CORPORATIVO

Todo mundo que trabalha ou trabalhou em empresas gigantescas sabe que estes são os lugares mais bizarros que existem no mundo. Fala-se um dialeto próprio, as pessoas usam um pedaço de pano ridículo e inútil ao redor do pescoço, e - muito importante - é um ajuntamento de gente que tem um código de conduta peculiar, que não está escrito em lugar algum, desafia a lógica e deve ser seguido à risca.

Em suma, uma loucura.

A língua. Termos como "equalizar", "maximizar", "produção" devem ser usados em abundância. Se você usar linguagem simples, será secretamente considerado um jumento pelos colegas e, pior, pelo seu chefe. Se precisar, use o Fabuloso Gerador de Lero-lero, citado nos comments do post anterior. Creiam, já teve gente que leu várias páginas daquele lixo com a firme convicção que aquilo consubstanciava uma verdade.

O chefe. Só existem dois tipos de chefe: o filho-da-puta e o grandessíssimo filho-da-puta. Quando você faz alguma coisa errada, eles despejam um caminhão de estrume na sua cabeça. Quando você faz alguma coisa certa, eles simplesmente ignoram. Mas, se você for um funcionário excepcional e fizer tudo certo, eles recebem bônus no final do semestre.

A hora do espanto. Não importa o que você faça; todo o stress de uma semana inteira pode ser compactado para caber na sexta-feira à tarde. Das 17 às 18 horas, então, ocorre o fenômeno da "hora do espanto". Os telefones, que estavam apenas na espreita, juntam-se numa sinfonia furiosa de campainhas. Os computadores, percebendo que você está com pressa, começam uma operação tartaruga. O chefe principia a sugerir, de maneira sádica, que talvez você tenha que vir trabalhar no sábado. Nesses casos, é aconselhável usar o método ninja: às 18 horas em ponto, sem dar tchau para ninguém, muito discretamente, finja que vai ao banheiro e suma.

Reuniões. Esse é o motivo pelo qual a Humanidade jamais atingirá seu potencial pleno. As reuniões são uma espécie de cerimônia ritual onde se celebra a estupidez humana. É uma perda de tempo inacreditável. Se eu citasse aqui todas as idiotices que já escutei em reuniões eu estouraria meu espaço de armazenamento no HPG. Mas, como diria Mencken, as pessoas precisam viver de alguma coisa. O método usado nas reuniões é perfeitamente democrático: os chefes ouvem atentamente a opinião de todos e depois fazem o que bem entendem. Se der errado, a culpa é sua.