UM CANÁRIO
Esses dias saí para beber com um colega de profissão que é padre no interior de São Paulo. Depois da undécima dose de steinhager, ele me contou uma história extremamente interessante. Ele possuía como bichinho de estimação um canário. Canário daqueles cantantes e vistosos. Depois de um tempo, um moleque chamado Juquinha(*) começou a importunar o Padre.
- Padre, o senhor me dá esse canário?
E o Sacerdote respondia:
- Nem fudendo, moleque. Vai jogar bola, vai.
Mas como toda a criança tem uma persistência capaz de irritar até um frade de pedra, o petiz insistia.
- Ah, Padre, me dá esse canário!
- Juquinha, pára de me incomodar. Não dou o canário!
O tempo, como sempre faz, passou - e o Juquinha pedindo e o Padre negando. Até que um dia ocorreu o inevitável.
- Padre, me dá esse canário.
- PEGA ESSA MERDA DESSE CANÁRIO E SOME DA MINHA FRENTE!
Então fez-se a paz: Juquinha com o canário e o Padre com paz de espírito. Até que, um dia, apareceu uma menina para se confessar com o Padre.
- Ah, Padre, estou tão envergonhada! O Juquinha está namorando comigo e ele me pediu que desse a bundinha para ele!
E o Sacerdote, sem hesitar:
- Minha filha, dá logo a bunda pra ele senão ele não vai te deixar em paz!
(*) o nome é fictício