HIC! (SIC!)

Recebi um e-mail de um beócio, criticando meu hábito de redigir posts em estado de embriaguês. O que o apedeuta não sabe é que não há problema algum nisso; se beber tornasse impossível a atividade de escrever, quase toda a literatura que a raça humana produziu não existiria. Estaríamos reduzidos a pouco mais que George Bernard Shaw e o Dalai Lama, o que seria lamentável, pois não? Isso sem falar nas agências de publicidade, que simplesmente teriam de fechar as portas.

Numa das epístolas de Paulo, no Novo Testamento, ele recomenda a um moço que tome um vinhozinho de vez em quando, para seus problemas de estômago. Por que não recomendou um Alka-Seltzer ou magnésia bisurada? Hein? Hein? É óbvio que Paulo era um pinguço, e ele escreveu boa parte do Novo Testamento. E meu grande amigo Jesus, naquela festa de casamento, transformou água em quê? Em tubaína? Em Fanta Uva? Em guaraná Dolly? Nananinana! Em vinho, e vinho excelente, segundo as testemunhas. Ele também era chegado num copo. OK, não foi ele que escreveu o Evangelho mas convenhamos, andar sobre a água é bem mais difícil que escrever.

Um ou dois uísques na moringa até ajudam na hora de ordenar as palavrinhas no papel - ou no editor de texto. Pensem nos grandes nomes da literatura que eram porristas notórios: Faulkner, Jack London, Bukowski, Baudelaire, Poe, Padre Levedo, Hemingway, etc. Creiam-me, se esse pessoal fosse tão sóbrio quanto um pastor no domingo de manhã, suas obras não teriam metade da graça.