UM SACERDOTE NÃO CONSEGUE MAIS MEDITAR EM PAZ

Duas de minhas secretárias - Safira das Paixões, a judia, e Raquel Cristina, a árabe, iniciaram uma discussão absolutamente pueril na mesa de jantar. Não levo muita fé na pureza racial delas pois ambas são cariocas e Safira é mulata estilo Diana Ross e Raquel lembra a Doris Day. Uma afirmava que Sharon era mais bonito que Arafat e a outra discordava. Bastou um meu olhar pétreo para que se calassem.

Eu refletia sobre uma incumbência que me fora dada por VRMI de la Squadra Anti-Reale, FH do vosso C. Como resolver o problema da nossa dívida externa? Olhando para Safira e Raquel tive uma idéia luminosa: por que não sugerir aos árabes que se convertessem ao judaísmo? Afinal de contas ambos têm o mesmo DEUS e ambos são primos semitas. Nosso representante na ONU exigiria apenas que as circuncisões árabes fossem realizadas por rabinos brasileiros ao preço módico de dez dólares por prepúcio, o que nos daria, no barato, dez bilhões de dólares.

Desisti da idéia, pois seria difícil convencer os árabes mesmo se lhes déssemos o Ronaldinho Cabeça de Xota de contrapeso. Não conseguia me concentrar, pois Safira e Raquel, embora em voz baixa, continuavam discutindo. Uma queria Tony Curtis no lugar de Arafat e a outra Omar Shariff no lugar de Sharon. Mandei-as para o quarto de castigo.

Mal elas se afastaram tive outra idéia ainda mais luminosa. E se vendêssemos o Piauí para Israel? O Piauí tem muito mais terra seca do que Israel. Em troca repassaríamos nossa dívida para os judeus que gozam da simpatia de Bush e teríamos um vizinho rico assim como o México tem os Estados Unidos. Se vendêssemos o Piauí com povo abateríamos 10% e se o vendêssemos sem povo cobraríamos 10% a mais. Caso os piauisenses preferissem ficar, seriam circuncidados gratuitamente e tratados como cidadãos de segunda categoria tal qual ocorre com os palestinos, o que sempre seria melhor do que sua situação atual. Telefonei ao Rei. Ele informou-me que já vendera a Amazônia mas que os condes Barbalhão e Amazolino haviam ficado com o dinheiro. Meu mordomo, Sir Anthony Hopkins, informou-me que Rogerinho Boquinão, meu assessor de imprensa, ex-cafifa e ex-professor de anatomia maligna me esperava em meu gabinete. Eu havia lhe passado a incumbência de ir em meu lugar ao Baile da Ilha Fiscal que Alexandre Aciolly deu para os novos ricos e famosos por apenas 600 mil dólares. Não vou a festa de novo rico a não ser muito bem pago. Perguntei ao Rogerinho como transcorrera o ágape. E ele:

- Apanhei uma gonorréia. Não sei se foi da perua, da atriz, da modelo ou da candidata a deputado.