A FELICIDADE NO ESTADO LÍQUIDO
Quando o dólar estava valendo 89 centavos de real (sim, crianças, eu fui testemunha ocular desta época feliz), fiz uma extravagância. Depois de tanto ouvir falar do Johnny Walker Blue Label, comprei uma garrafa pra mim. Custou exatos R$199. A garrafa vem numa caixa, toda chique, e com um livrinho. Pensei: porra, o primeiro uísque que vejo que vem com manual de instruções! Mas na verdade era só uma historinha que contava a origem dos maltes que compunham o uísque, que não é um "single malt" - feito apenas de um malte. Mas isso são tecnicalidades. Vamos ao que interessa.
Minhas caras ovelhinhas, talvez haja no Universo algum uísque melhor do que esse, porém não é do meu conhecimento. Eu pensava, na pequenez das minhas idéias, que já havia bebido uísque. Tolo e infantil engano! Eu havia bebido imitações de uísque. Simulacros. Fac-símiles.
Eu costumo sempre colocar água no uísque. No caso do Blue Label, isso não só é uma heresia como deveria ser considerado crime punível com, pelo menos, seis anos de prisão. Percebi este fato imediatamente, pois como se tratava de uma bebida tão cara, experimentei a primeira dose pura, sem gelo nem água.
Imediatamente os portais do CÉU se abriram e ouvi as harpas dos querubins. Olhei com temor e respeito para a garrafa, repetindo mentalmente: nunca acabe, nunca me deixe só.
Hoje o Blue Label está por volta de R$500. Juntem dinheiro, se endividem, ponham no cartão de crédito parcelado em 6 vezes, mas NÃO deixem de experimentar essa maravilha engarrafada.