SADE
Donatien Alphonse François, Marquês de Sade. Na vida e na literatura, esse cara foi coerente. Nasceu em Paris, em 1740 e morreu no sanatório de Charenton em 1814. Passou boa parte da vida na cadeia, acusado de crimes de licenciosidade, perversões sexuais, violência sexual, etc. Era, de fato, um tarado que ignorava as regras da convivência social. É preciso ter muita coragem para viver como ele viveu. Ou ser doido. Gosto muito de Sade. Aí vai um micro-conto dele:
O MARIDO COMPLACENTE
Toda a França sabia que o príncipe de Bauffremont tinha mais ou menos o mesmo gosto que o cardeal de que acabamos de falar(*). Deram-lhe em casamento uma moça muito inexperiente e que, seguindo o costume, só foi instruída na véspera.
- Sem maiores explicações - disse a mãe -, porque a decência me impede de entrar em certos detalhes (**), não tenho senão uma coisa a lhe recomendar, minha filha. Desconfie das primeiras propostas que lhe fizer o seu marido. Diz-lhe firme: Não, sr., não é por aí que se toma uma mulher honesta; por qualquer outra parte que desejar, mas por aí não, por certo...
O casal se deita e, por um princípio de pudor e de uma honestidade que se estaria longe de suspeitar, desejando fazer as coisas em regra ao menos pela primeira vez, o príncipe oferece à mulher os castos prazeres do matrimônio. Mas a jovem, bem-educada, se lembra da lição:
- Por quem me toma, sr.? Imaginou que eu consentiria nestas coisas? Por qualquer outra parte que desejar, mas por aí não, por certo...
- Mas sra...
- Não, faça o que quiser, não me convencerá nunca.
- Bem, sra., é preciso satisfazê-la - diz o príncipe palmilhando seus lugares prediletos. - Ficaria aborrecido se dissessem que eu pretendi contrariá-la.
E que venham agora nos dizer que não vale a pena instruir as filhas sobre o que devem a seus maridos!
(*) no conto anterior, Sade falou de um cardeal que só comia o cu da mulherada.
(**) HAHAHAHAHA