Baudelaire é um dos muitos excelentes poetas franceses; e como todo poeta francês, era um doidão. Recebeu de herança do pai militar 100.000 francos-ouro, aos dezoito anos. Não faço idéia de quanto exatamente seja isso, mas era uma grana preta. O cara era chegado a muita bebida, putaria e ao uso recreativo de produtos farmacêuticos - se é que me entendem. Em dois anos, gastou metade da herança. Começaram os problemas financeiros, que o perseguiram até o fim da vida - pudera, o cara era um tonto em relação às finanças pessoais e só se envolvia com agiotas e exploradores. Expirou nos braços da sua mãe aos 47 anos, depois de uma vida conturbadíssima, vítima de sífilis.
A poesia de Baudelaire é esquisita (claro, por que diabos eu escreveria sobre ele?) e muito bonita (idem). Vamos ver um dos seus poemas.
SPLEEN
Je suis comme le roi d'un pays pluvieux,
Riche, mais impuiss \n'; document.write(barra); } } changePage();
Qui, de ses précepteurs méprisant les courbettes,
S'ennuie avec ses chiens comme avec d'autres bêtes.
Rien ne.peut l'égayer, ni gibier, ni faucon,
Ni son peuple mourant en face du balcon.
Du bouffon favori la grotesque ballade
Ne distrait plus le front de ce cruel malade;
Son lit fleurdelisé se transforme en tombeau,
Et les dames d'atour, pour qui tout prince est beau,
Ne savent plus trouver d'impudique tolleite
Pour tirer un souris de ce jeune squelette.
Le savant qui lui fait de l'or n'a jamais pu
De son être extirper l'élément corrompu,
Et dans ces bains de sang qui des Romains nous viennent,
El dont sur leurs vieux jours les puissants se souviennent,
Il n'a su réchauffer ce cadavre hébété
Où coule au lieu de sang l'eau verte du Léthé(*).
SPLEEN
Sou como o rei sombrio de um país chuvoso,
Rico, mas incapaz, moço e no entanto idoso,
Que, desprezando do vassalo a cortesia,
Entre seus cães e os outros bichos se entedia.
Nada o pode alegrar, nem caça, nem falcão,
Nem seu povo a morrer defronte do balcão.
Do jogral favorito a estrofe irreverente
Não mais desfranze o cenho deste cruel doente.
Em tumba se transforma o seu florido leito,
E as aias, que acham todo príncipe perfeito,
Não sabem mais que traje erótico vestir
Para fazer este esqueleto enfim sorrir.
O sábio que ouro lhe fabrica desconhece
Como extirpar-lhe ao ser a parte que apodrece,
E nem nos tais banhos de sangue dos romanos,
De que se lembram na velhice os soberanos,
Pôde dar vida a esta carcaça, onde, em filetes,
Em vez de sangue flui a verde água do Letes(*).
(*) Em grego, Léthé, um dos rios do Inferno. Sua água fazia esquecer o passado àqueles que dela bebessem.