RILKE
Rainier Maria Rilke - dizem - é o maior poeta da língua alemã desde Goethe. Nasceu em Praga, no Império Austro-Húngaro em 1875. Era (sejamos francos) um parasita da nobreza. Viveu isolado do mundo, em castelos cedidos por aristocráticos mecenas, escrevendo poemas enquanto a mulherada implorava pela sua atenção. Por DEUS e todos os santos, isso é o mais próximo que consigo imaginar de um paraíso na terra. Mas não é isso o que interessa; o que interessa é o que ele escreveu. Vamos, portanto, a um poema dele.
DER PANTHER
Im Jardin des Plantes, Paris
Sein Blick ist vom Vorübergebn der Stäbe
so müd geworden, dass er nichts mehr hält.
Ihm ist, als ob es tausend Stäbe gäbe
und hinter tausend Stäben keine Welt.
Der weíche Gang geschmeidig starker Schritte,
der sich im allerkleinsten Kreise dreht,
ist wie ein Tanz von Kraft um eine Mitte,
in der betäubt ein grosser Wílle steht.
Nur manchmal schiebt der Vorhang der Pupille
sich lautlos auf -. Dann geht ein Bild hineín,
geht durch der Glieder angespannte Stille
und hört im Herzen auf zu seín.
A PANTERA
No Jardin des Plantes, Paris
Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existissem mil grades
e mundo nenhum mais além.
O passo elástico, macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.
Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio. - Uma imagem então
penetra, a calma dos membros tensos trilha -
e se apaga quando chega ao coração.