SYLVIA PLATH

Sylvia nasceu em 1932 e se suicidou em 1963, aos trinta anos. Era de Escorpião e casou-se com um homem chamado Ted, também poeta mas que permaneceu após a morte dela sendo conhecido apenas como "o viúvo de Sylvia Plath". Ela era americana, e meio doida. Foi internada em hospitais psiquiátricos e - como era moda, na época - "tratada" com eletrochoques. Foi uma tarefa ingrata selecionar apenas um dos seus poemas para apresentá-lo aqui. Vamos ouvir a voz de Sylvia:

MIRROR

I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, unmisted by love or dislike.
I am not cruel, only truthful -
The eye of a little god, four-cornered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.

Now I am a lake. A woman bends over me,
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully.
She rewards me with tears and an agitation of hands.
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish

ESPELHO

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, desanuviado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro.
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito sobre outro lado da parede.
Cor-de-rosa, salpicada. Há tanto tempo olho para ela
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ela oscila.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.

Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.