DESESPERANTO
Num momento de descanso, estava eu bicando uma água suja e amarga que chamam de "café", na copa do banco onde trabalho. É uma sala ampla, onde o pessoal ingere sólidos e líquidos. Muitos levam marmita - especialmente as próprias copeiras -, que é aquecida num pequeno forno de micro-ondas. Mas, quando eu bebia meu café, já era quase fim do expediente, e não havia ninguém mais na sala. Já ia dar o último gole quando entra uma das copeiras e me pergunta: "o senhor viu um tupuá de tampa rosa por aí?". Eu não consegui entender nada do que a mulher disse. Fiz que não, e ela principiou uma busca barulhenta pelos armários da copa, repetindo em voz baixa, sem parar: "tupuá, tupuá..." Claro que fiquei observando aquilo, só para ver no que é que dava.
Finalmente ela exclamou: "achôôô!", e exibiu o que tanto procurava: um pote plástico Tupperware com a tampa cor-de-rosa.