SÓ É HOLOCAUSTO SE TIVER MARKETING
Me lembrei agora que os espanhóis, na conquista da América, exterminaram mais ou menos sessenta e cinco milhões de astecas, incas e maias. Isso mesmo, 65 milhões de homens, mulheres e crianças. Isso coloca qualquer holocausto no chinelo. O engraçado é que ninguém dá bola para isso. Nunca vi uma passeata com cartazes: "Lembrem-se de Francisco Pizarro", ou citarem alguma menininha inca que morreu pela espada espanhola como símbolo da inocência esmagada por um regime opressor. Talvez porque ela não tivesse um diário.
Imagino um conversa com Cortez, este já velhinho:
- Mas, capitão, foram quantas batalhas?
- Olha, foram tantas que até nem lembro mais.
- O senhor matou muita gente?
- Ah, matei. Uns degolados, outros enforcados, a tiro...
- E isso não lhe dá, assim, um certo remorso?
- Não. A única coisa que me deixa meio arrependido foi uma vez em que invadimos um vilarejo e matamos todo mundo. Só sobrou uma criança, de uns cinco anos, mais ou menos. E essa criança sentava no meu colo, passava a mão na minha barba e dizia: "vovô, mas como o senhor é bonito!" E me beijava o rosto...
- Ah, então essa o senhor não matou, não é?
- Carajo! Claro que não! Tu pensa que eu sou o quê, um animal?
- Calma, calma...
- Essa eu não mandei matar. Mandei enterrar viva junto com os parentes dela.
(Para quem não sabe, Fernão Cortez foi um dos maiores filhos da puta que já pisaram neste planeta. Francisco Pizarro também. Leiam "As veias abertas da América Latina")