Nunca deixo de lembrar que a ficção tem uma grande desvantagem frente à realidade: a ficção precisa ser verossímil; a realidade simplesmente acontece e pronto. Por exemplo: na mesa onde trabalho, no canto esquerdo, fica uma pilha de revistas. Vou comprando, lendo e empilhando. Hoje chegou um sujeito, que eu nunca tinha visto na minha vida, e pegou uma delas, sem nenhuma cerimônia. Claro que a capa era sobre afeganistão, etc. Não fiquei muito surpreso pois a empresa onde trabalho é muito grande, e tem várias pessoas que não conheço. Bem, ele ficou de pé, ao meu lado, folheando a revista. Depois de um tempo, ele falou:
- Pôxa, agora eles só falam nisso. Guerra, terrorismo ...
Olhei para ele e pensei: "de onde saiu esta criatura?". Mas, resolvi ser cordial.
- É, a coisa tá braba.
Passou-se um tempo. Aí ele disse, meio distraído:
- O nome da minha esposa é Rosana.
À essas alturas, eu já não entendia mais nada. O que eu tinha a ver com isso? Achei melhor ficar quieto, pois aquele louco poderia ficar agressivo. Passou-se mais um tempinho e ele completou:
- Agora eu chamo ela de Rosana Bin Laden. HAHAHA.
Colocou a revista de volta na pilha, agradeceu e foi embora.